Resenha Aula do dia 01/06
O post de hoje trará a resenha da aula da ultima terça feira (01/06) sob a ótica do grupo após um longo processo de interpretações e discussões e (re)considerações dos assuntos que envolveram esta aula. Fica aqui o espaço aberto a dúvidas e correções.
Como de costume, a aula dessa terça-feira, dia 01.06 teve iniciocom uma discussão sobre matérias recentes postadas nos blogs; as postagens citadas foram:
- Ciberpanóptico, com Flagrantes a um click! Traz uma matéria sobre o uso dos dispositivos móveis, principalmente os celulares com câmeras, permitindo que anônimos e famosos sejam flagrados nas situações mais adversas, ampliando o voyeurismo, como disse o professor; o blog disponibiliza três vídeos que causaram polemicas e/ou graça;
- Cyber-sons: Foi conversado na aula sobre a matéria Sonic City: Ambiente, música e mobilidade…, um projeto que visa produzir música através da ação do usuário e as condições urbanas, foi dito que essa criação tem a tendência da busca do andar com arte, comparado aos Dadaístas. Situações criadas para sair do urbano, sendo que o urbano influencia nessa criação, pois as informações emanam do meio, onde segundo o professor “…o percurso é o DJ…”. O que pode ser tratado como uma apropriação do espaço urbano com a emissão de sinais do ambiente, retorno ao chamado situacionismo. Não deixando de ser, uma espécie de alargamento das nossas sensibilidades para algum fator específico retirado do cotidiano.
- Furo na Rede: Organização de consumidores mudará com democratização da Internet: A matéria diz que a democratização da Internet vai permitir aos consumidores, mais especificamente os de classe C, se mobilizarem em busca da defesa de seus direitos. Foi dito em sala que essa postagem tem haver com o texto de Pierre Musso, discutido em outro momento: Ciberespaço, figura reticular da utopia tecnológica, que diz que “O ciberespaço é [...] uma alucinação consensual que reúne os partidários da liberdade do mercado e da sociedade civil [...] realizando a igualdade de todos os membros[....] unidos na fraternidade das comunidades virtuais”; e então foi lançada a pergunta: Será que se todas as classes estiverem na rede terá uma maior participação política?
- Urbis Digitalis: Pesquisa do Ipea mostra que moradores de ‘Cidade Digital’ têm dificuldade para acessar internet. Embora Piraí, cidade do estado do RJ, tenha sido pioneira em possibilitar um computador por aluno e permitir o acesso gratuito à Internet em locais públicos, é considerada uma das cidades mais “desconectadas”, pois não permite os aparatos para ser considerada “Cidade Digital” e traz a tona a discussão sobre inclusão.
Em seguida houve a apresentação sobre o texto de Vilém Flusser: Imagens nos novos meios, onde o autor conceitua a imagem como um meio cujo transporte incide na procura do emissor pelo receptor. Além de apresentar alguns”planos de fundo” nas quais a imagem pode ser transmitida? Sobre isso, ele destaca o transporte misto, consideradas nas ocasiões em que o receptor se desloca até as imagens que estão alocadas em determinado ambiente, como nas igrejas ou exposições.
Falou-se também sobre a “inserção” do espaço político superficial (Superficialidade do espaço público) no contexto de análise. Que ocorre quando o receptor já não necessita deslocar-se de seu espaço privado para ser informado. Quando receptor então não se transporta mais, as imagens podem ser reproduzidas e chegar até um receptor isolado. Flusser diz que essa tendência das imagens se tornarem transportáveis, e os receptores imóveis, é característica da revolução cultural da atualidade, e alerta para os riscos e benefícios dessas alterações.
O autor chama a atenção para o transporte da imagem, e pela comparação de três exemplos, tenta mostrar o aspecto desestabilizador dos transportes:
1) A imagem de um touro na caverna: é preciso afastar-se da imagem e se orientar pelo que vê, da subjetividade, e a imagem fixada permite a orientação dos outros;
2) O pintor que cria num espaço privado, e devido o esforço de passar suas vivencias, ele enriquece o código através desse “ruído”, assim ele contribui para história, e ao expor seu quadro, permite obter criticas e assegurar o valor da imagem;
3) Um funcionário que se deixa entreter por imagens na tela, onde, segundo Flússer, ele é programado pelas imagens a funcionar como produtor e consumidor de coisas e de opiniões de determinado tipo.
O professor citou Guy Debord e a obra A Sociedade do Espetáculo, que defende que tudo circula, mas poucas coisas fazem sentido, enquanto Flússer diz que imagens remetem construção do real a partir de uma perspectiva, remete a uma manipulação. Deve-se portanto, fazer uma crítica a essa “sociedade do espetáculo” utilizando dos argumentos postulados por Debour, que “a TV têm efeito anestesiante nas pessoas” salientando as considerações de Flússer de que, o consumo destas modalidades de imagens, podem manipular e alienar as pessoas.
Na ultima parte da aula, o professor aprofundou – se na diferenciação das imagens digitais para as analógicas. Mostrando a variação das alterações tecnológicas nos modelos de emissão de imagens emitidas por artefatos, da fotografia até a realidade virtual. Discutiu também questões relacionadas à interatividade humana para com os artefatos e apresentou uma cronologia da evolução dos computadores atentando-se para as implicações de cada alteração.
Citando Edmond Branchaut, o professor comenta que hão três tipos de imagem produzidas por artefatos.
. Óptico Quimico: Onde há uma fixação analógica e aleatória de reprodução do real. Aleatória por sua impossibilidade de determinar e manipular cada “grão” o que a torna referencial e indicial do mundo.
. Óptico Eletrônico: Podem ser apenas um programa de combinação matemática, gerada através de calculo matemático, não sendo indicial, mas perfomática (simulada) onde são determinados e previstos cada ponto/pixel.
. Realidade Virtual: Mundo simulado, construído como imagens em 3D que tenta realizar experimento em primeira mão. Permite ao receptor “entrar” na imagem.
Outro ponto importante tratado na aula foi a diferenciação entre Interface e Interatividade:
Interatividade – Definido pela existência de diálogo, ação e reação de um sistema, comunicação com resposta ativa.
Interface – Lugar onde a interação acontece.
Interatividade Midiática: Dividida em três modelos
- Interação social: Relações humanas “Exemplo do trânsito, pois eu não dirijo apenas para mim, mas para os outros. A medida que o outro me ultrapassa, eu tenho que frear meu carro”
- Interação de atividade analógico-mecânica: Interação meramente reativa onde a participação do receptor limita-se a alguns parâmetros. (Mudar um canal de TV por exemplo).
- Interação eletrônico – digital: Interação aberta com o conteúdo e não apenas com as limitações mecânicas. (Cibercultura).
O computador comporta os três modelos de interações:
Social por inserir o usuário numa série de informações que são partilhadas de algum modo. Mecânica- analógica por que o usuário não se desprende do ambiente físico nem dos seus aparatos técnicos, como teclado, mouse e monitor. E ao mesmo tempo, eletrônico-digital por permitir uma interação direta com o conteúdo veiculado não apenas no consumo, mas principalmente na produção e/ou (pós) produção.
Por fim, o professor apresentou a evolução tecnológica dos computadores abordando os efeitos causados a cada alteração.
1 – Cabos e Plugs (Parecia com o sistema de telefonia antigo, cujos links eram feitos através de plugs manuais.
2 – Cartões Perfurados – Listagem a partir de um código binário (Furo-não furo) – Exemplo Realejo
3 – Monitores, Periféricos 0 Teclados (Comandos de informações) Exemplo – MS DOS que necessitava de um conhecimento dos comandos
4 – “GUI” Inteface Gráfica Usuária (WYS/WYG = O que você vê/o que você pega) uso de símbolos e ambiente gráfico que permite uma leitura mais simplificada, por causa das imagens. (Windows)
5 – Realidade Virtual – Imagem funcionando como o real, que opera e que reforma um modelo, permitindo não apenas tocar (como o GUI), mas entrar no campo imagético.